Economia de Água

Atualmente, muitos condomínios do Estado de São Paulo contam com hidrômetros de medição individualizada. Em parte, isso resulta de sucessivas campanhas que fizemos para que os síndicos adotem o equipamento, a partir de previsão nos projetos.

Mas há os condomínios construídos no tempo em que a água não era um problema de vida ou morte como hoje. Esses empreendimentos antigos dependem de instalação complexa.

Nem sempre é viável mexer nas prumadas para que a água passe a ser um bem controlável e justo: cada morador pagará pelo que consome e não mais pelo rateio.

A conta de água responde atualmente pela segunda maior despesa da cota condominial. Perde apenas para mão de obra e encargos. Continuando o desperdício, logo será a primeira das despesas. Por conta disso, o hidrômetro de medição individualizada não representa apenas uma questão de justiça em condomínios. Representa também o caminho para reverter um quadro de desperdício que poderá comprometer a curto prazo o abastecimento desse bem finito, dentro e fora dos condomínios.

Com ou sem o hidrômetro de medição individualizada, economia de água é uma pauta que jamais deveria sair do foco Deveria ser prioridade para os síndicos, conselho consultivo, moradores e funcionários. Após a campanha que alertou para o problema durante a recente seca histórica, nossos serviçais – dentro e fora dos condomínios – não demoraram a voltar ao uso das mangueiras em lugar da velha e boa vassourar para a limpeza das calçadas. Somos todos nós vulneráveis à magia da água. Junho e julho de 2018 foram dois dos meses mais secos dos anos recentes. A seca portanto ainda não passou. Não vamos aqui repetir as dicas de economia que órgãos públicos divulgam. A melhor dica é o estado de alerta.

“Hidrômetro individual pode valorizar o imóvel em até 8% e reduzir em cerca de 5% a conta de água”. Essa é a manchete de um press-release que divulgamos recentemente.

Temos defendido em sucessivos artigos publicados na grande imprensa que o tom de nossa propaganda sobre consumo de água deve ser dramático. Achamos hoje que o hidrômetro de medição individualizada deveria usufruir de incentivos fiscais.

“Podemos sobreviver ao fim do petróleo, mas não ao da água”. Essa frase também tem sido enfatizada em nossos artigos.

Nesses mesmos artigos, temos alertado o mercado imobiliário para que deem um valor diferente aos itens de venda apregoados em anúncios. Ao lado de “espaço gourmet”, academia e outros argumentos de venda, por que não também a menção aos hidrômetros?

Somos de opinião que, em matéria de água, o futuro começou mais cedo do que previmos. Nosso sistema de ensino não aborda a questão como deveria. Temos de nos precaver para que o abastecimento ou escassez de água não sejam abordados como mera questão política.

Temos mencionado de forma relevante nas escolas o Dia Mundial da Água? E, se o fazemos, temos emprestado ao tema o tom adequado de seriedade que ele reclama?

O sistema de medição de água individualizada deveria fazer parte da celebração do Dia Mundial da Água no Brasil. Seja como for, enquanto o hidrômetro individual não se torna de uso comum nos condomínios, o jeito é economizar através dos que já estão instalados. O que vemos nas ruas é diferente. Nossos serviçais usam as mangueiras enquanto falam ao celular ou conversam com a vizinhança em tom relaxante.

Os patrões se omitem. O precioso líquido virou moda. A medicina e os profissionais nutricionistas recomendam uma quantidade mínima de água para que conservemos a saúde.

Consumir água virou um hábito deselegante nas ruas, no metrô e no transporte público em geral. Tudo bem: vamos beber

bastante água. Mas vamos economizá-la no chuveiro ou nas mangueiras.

Não temos ideia do que será no futuro à falta dessa commodity. É bom que saibamos, enquanto é tempo. Merece um enorme respeito o nosso antepassado. Na longa noite pré-histórica, ele sobreviveu à fome, ao medo e à falta de tudo o que temos hoje.

Não havia supermercado, nem crédito, nem remédios. Mas conseguimos domesticar o fogo. Conseguimos muito tempo depois canalizar a água. Depois de tanto esforço, resta zelar pela água em nossas torneiras.

O Estado de São Paulo – onde está o maior contingente da população consumidora do país – possui apenas 1,3% do total da água doce existente em território brasileiro. São cerca de 40 mil condomínios apenas na Capital, 45 mil na Grande São Paulo e 50 mil no Estado. Praticamente todos têm algum tipo de desperdício de água. Não está na hora de reverter a situação e preservar esse recurso finito em tempos conturbados?

Esta é a situação no Estado de São Paulo. Mas a crise da água é planetária. Há rios que não conseguem mais chegar ao mar solapados pela terra. A agricultura consome a maior parte da água existente para nossa sobrevivência na Terra. E, claro, não podemos recuar a fronteira agrícola. Água é comida

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